VII SIMPOSIO 2019 Centro Mundial de Estudos Humanistas

Attigliano (Itália), Florença (Itália), Porto (Portugal), 5-6 de abril

O FUTURO, UM MITO POR CONSTRUIR

O caminho para a nação humana universal

Enquadramento

Qual é o nosso destino hoje? Que futuro deveríamos esperar?

A crise que estamos a vivenciar neste momento, a aceleração tecnológica e o processo de globalização, estão a influir constantemente na imagem do nosso futuro. Uma visão confusa e fragmentada, inclusivamente obscura, impregna a esfera social e a consciência humana, gerando sensações de incerteza, medo e instabilidade.

No entanto, entre as imagens do futuro que podemos observar, nem todas são negativas: as crises oferecem a oportunidade de visões múltiplas do futuro em que aparecem representações positivas. Estas visões positivas do futuro podem inspirar-se num passado glorioso ou surgir de aspetos progressivos da civilização moderna e, às vezes, contêm fatores de ambos os elementos.

Parece necessário enfatizar que, quando falamos sobre o futuro, estamos a falar de uma representação da consciência humana de aquilo que poderia suceder no futuro. Portanto, o futuro é uma construção da consciência humana e, como tal, é intencional.

Assim, o futuro obscuro que projetamos a partir da nossa situação atual não é o resultado de uma sequência mecânica ou natural de eventos, mas sim de uma construção intencional da consciência humana que está particularmente presente no mundo, sobretudo na parte chamada “ocidental”. Esta representação sofrida, por sua vez, gera uma visão pessimista do futuro, como um círculo vicioso.

O futuro depende de nós; se a evolução da consciência humana é intencional, temos a oportunidade de nos libertarmos desta armadilha e construir uma visão coerente com o momento histórico, uma visão aberta, em evolução e, finalmente, feliz. Trata-se de fundir o melhor conhecimento à nossa disposição com uma sensação de liberdade e abertura ao futuro.

Porém, como podemos fazê-lo?

Há elementos básicos que caracterizam o progresso das civilizações: os mitos que operam nas profundezas da consciência coletiva dos povos e que lhes mostram o caminho. Referindo-nos ao pensamento siloísta: “Estas crenças não são de todo esquemas passivos, mas sim tensões e climas emocionais que, ao converterem-se em imagens, acabam por se converter em forças capazes de dirigir a atividade individual ou coletiva”. “Os mitos permitem-nos aproximar-nos à compreensão de ideais, aspirações e esperanças, não como ideias frias, mas sim como imagens dinâmicas que canalizam o comportamento numa direção específica”. “Mesmo as teorias científicas podem separar-se do seu domínio e “voar” sem serem provadas: mas quando o fazem é porque já se estabeleceram como crenças sociais e adquiriram a força plástica da imagem, como uma referência muito importante e decisiva para guiar o comportamento.”

Os mitos sucedem-se, transformam-se, sobrepõem-se, porque mudam com a variação da experiência do ser humano. Assim, hoje somos testemunhas da crise de mitos formados noutros tempos e que já não parecem poder acompanhar o ser humano na sua evolução. Desta condição surge a necessidade de desvelar e reconhecer a semente da nova mitologia emergente.

Poderão os novos mitos gerar uma civilização planetária na qual a desigualdade e a violência sejam desterradas para sempre? Que impactos poderiam ter na ciência, nas religiões, nas instituições, no modelo económico e social da civilização futura e no apogeu do seu desenvolvimento tecnológico? Poderão gerar uma Nação Humana Universal?

Um novo mito só pode provir de uma nova imagem do ser humano. Deste ponto de vista, pensar em novos mitos significa pensar no futuro que queremos, quem somos e para onde vamos.

O 7º Simpósio Internacional do Centro Mundial de Estudos Humanistas quer apoiar o esforço, criando um espaço de reflexão, intercâmbio de opiniões e exposições entre investigadores apaixonados, investigadores meticulosos e ativistas generosos, que contribuem todos os dias para a construção de uma nova imagem do futuro, e quer investigar a procura de novos mitos unificadores para o destino da humanidade.